Canal de comunicação direto do dramaturgo Jair Alves com os leitores do Jornal Macunaíma. Publicação de matérias e textos sobre Cultura, Política e Sociedade.
Em meio a esse quadro geral, não faltam pessoas que idealizam movimentos, cuja prática mais comum é apontar o dedo contra o Estado, omisso. Mas, esses movimentos não propõem nada, nem seus métodos são criativos e originais. Até o símbolo da paz, usado por eles, é uma cópia ridícula de uma metáfora antiga, criada pelo magnífico comediante do cinema mudo, Buster Keaton. O uso das duas mãos cruzadas, na versão desse magistral artista, significava trata-se de uma dessas organizações mafiosas. Para saber mais, basta acessar o Link, no vídeo em anexo. Divirtam-se!
Esta semana que termina trouxe algumas cenas de impacto, que seriam suficientes para rever algumas das contradições que povoam a chamada “pauta Nacional”. Dentre elas, a libertação da principal refém das FARC e tudo o que veio à tona, em função desse acontecimento: a morte, estúpida, do menino João Roberto, no Rio de Janeiro; e, por último, o entra e sai da cadeia, dos figurões da política e do mundo financeiro Nacional, deixando a nu as reais ligações da Corte máxima brasileira.
Tudo já foi dito e escrito, a respeito desses três (3) episódios, porém uma certa histeria coletiva e de certos grupos, dominantes, da sociedade, acabou monopolizando o debate nacional impedindo que se tire alguma lição desses descalabros. Nem é preciso dizer que na atualidade, num tempo de grande expansão dos veículos, bem como dos instrumentos de comunicação, foi exatamente o momento em que menos os homens se entenderam, a respeito de qualquer assunto. Binômio refletir e ouvir é tão proibido, quanto foi o desejo de liberdade, até a 30 anos atrás.
Comecemos pela situação da Colômbia, que para todos, de uma maneira geral, parece ser um assunto indigesto. A produção de cocaína e a formação de cartéis, naquele país, alimentando o tráfico e o consumo de drogas, internacionalmente, têm a ver com a guerra civil que se instalou, no Rio de Janeiro, exportada, agora, para as demais cidades brasileiras. Também a morte do menino, João Roberto, é conseqüência dessa guerra, aonde não faltam “pregadores de feira livre”, pedindo pena de morte aos bandidos ou, então, a participação do exército, no combate ao crime. Os mesmos defensores desses métodos são os primeiros a sair, em passeata, ou realizando manifestação pela imprensa, condenando o Estado que aí está. Vide a tentativa de ridicularizar, o governo do Rio de Janeiro, no programa “Canal Livre”, pelos jornalistas, comprometidos em desgastar qualquer ação da União, no combate à pobreza, a miséria e ao crime. Pobre menino, pobre pai, indefeso, protestando frente às câmeras de tevê.
O escândalo financeiro exposto em praça pública é a raiz de uma situação crônica, construída desde há muito, com os olhos coniventes do Legislativo, do Judiciário e que, agora, se revela um filme sem “mocinhos nem bandidos”. Bastou um pouco da eficácia de uma polícia que, num passado não muito distante, foi aliada da repressão política para se produzir tantos escândalos. Este é o quadro.
Surpreendeu-me sua participação, hoje, pregando o medo, no programa gratuito eleitoral, do candidato Serra. Sua tentativa em dividir seu medo com a Nação brasileira chegou a ser patético. O seu “medo” de que Lula venha a ganhar as eleições, no próximo dia 27, é cômico se não fosse sério, parodiando Dürremath. Cômico, na medida em que imagina que a vida da maioria dos brasileiros seja tal e qual a sua. Lamentavelmente, não é. A notoriedade da qual você desfruta, por mérito, não é vivenciada pela maioria da população brasileira. O que tem sido um terror para você (a vitória de Lula), para muita gente pode ser a salvação. Ao todo, são 39 milhões de pessoas que depositaram, em Lula, a esperança de dias melhores. E isso não é pouco.
Sério, porque há exatos 27 anos atrás, numa semana qualquer de outubro de 1975, você, juntamente com outros atores, participou da Leitura de uma Peça Teatral, aonde o que se via era, acima de tudo, a coragem. Estou falando do Concerto nº 1 para Piano e Orquestra (teatro Paiol, na segunda quinzena daquele mesmo mês de outubro). Numa sexta-feira, à meia noite, com uma nesga de esperança, atores como, João José Pompeu; Madalena Nicol; Maria Ylma; entre outros, davam prova de que alternativa não havia, a não ser enfrentar, com coragem, a ditadura militar. Enfretamento este que fazíamos com as únicas armas de que dispúnhamos, ainda que improvisados - a nossa profissão.
O texto, escrito por João Ribeiro Chaves, cunhado de Vladimir Herzog, sacudiu a todos e nos encheu de esperança, não de medo. Na semana seguinte ou no dia seguinte (existe uma divergência entre este que escreve e Sérgio Mamberti, também diretor naquela leitura) ‘Vlado’ foi morto, nas dependências do DOI-CODI. Ele esteve presente naquela meia noite de sexta-feira, assistindo a segunda leitura que falava justamente de esperança, embora já debaixo de muita pancada. Você demonstrou ainda uma maior coragem, quando tomou a frente e, meses depois, veio a montar a mesma peça, embora comercialmente, mantendo grande parte do elenco. Surpreendo-me, sinceramente, que neste momento você lance dúvidas a respeito da idoneidade e importância histórica do ex-metalúrgico, hoje um dos políticos mais importante do Brasil. A notoriedade de Lula foi conquistada com trabalho, muita seriedade e respeito ao povo brasileiro, a mesma seriedade com que você construiu seu prestígio, ao longo de sua carreira.
Lula representa, hoje, a ESPERANÇA e não retrocesso e o caos. Caos e medo são o que grande parte dos que nele votaram, dentre eles eu, têm vivido durante muitos anos. Ele significa a MUDANÇA, a mesma mudança que você, um dia, ajudou a construir. Destaco você, ao lado de Lélia Abramo, Fernanda Montenegro, Camila Pitanga, Regina Case, Fernanda Abreu, Lilia Cabral como patrimônio cultural brasileiro, que não pode ser destruído. Da mesma forma, acredito não ser correto (com todo o respeito que tenho a você), que tente transformar uma pessoa como Lula, ao qual nós brasileiros devemos muito, no causador dos problemas que o país vive desde há muito. Até porque ele teve à coragem de enfrentar os Militares, juntamente com seus companheiros, metalúrgicos, do ABC. Naquela época, o combustível da vida era à busca pela liberdade que, hoje, você desfruta e todos nós também. Atualmente, o combustível da vida é a luta pela igualdade de oportunidades, o que Lula também representa nesse momento.
Você fala que “ele mudou”, “que não é mais o homem que você conheceu!” A qual Lula você está se referindo? Aquele que mobilizou seus companheiros para votar em FHC, para senador, em 78, ou o Lula que comandou as greves, contra o Regime Militar nos anos seguintes? Nota-se que você conhece tudo de teatro, mas muito pouco sobre política. Permita-me afirmar que ele (Lula) é o mesmo homem de sempre, generoso com seus companheiros e com o destino da Nação Brasileira. Lula não renega seu passado, muito menos o que escreveu, até porque tudo o que ele escreveu fez com sua própria vida.
Acho que, apesar da tristeza que deverá cair sobre seu coração, sensível - com uma possível derrota de Serra, no próximo dia 27 - você deve votar nele, sim. É o seu direito. E acho mais, espero que nos próximos dias você tenha à oportunidade de demonstrar o quanto ele, Serra, poderá fazer pelo Brasil e para o povo brasileiro, como economista que é (por exemplo). Só lamento que nesses anos todos seu partido de coração (o PSDB), governando o País por oito anos (8), não tenha utilizado seu candidato, como economista, para resolver questões gravíssimas que o Brasil enfrentou, durante todo este período (recessão, desemprego, fome, etc.). Sei que ele é muito competente, porém não foi capaz de evitar a crise econômica a que fomos submetidos e que as notícias dos jornais, diários, não nos deixam esquecer. Para finalizar, penso que você, ao agir dessa maneira, está desprezando a inteligência dos eleitores, apelando para o coração sofrido de quem, numa outra situação poderia “embarcar” no seu medo. Regina, sua contribuição ao teatro, televisão, cinema e à cultura brasileira, enfim, nunca será esquecida. Porém, o seu gesto de hoje, sinceramente, espero que sim. Para o bem de todos nós!
Mais uma vez, respeitosamente, Jair Alves - Dramaturgo/SP
ANTES DISSO EM 1985, REGINA DUARTE LEMBRAVA OS NAZISTAS QUE ASSUMIRAM O PODER PORQUE OS DEMOCRATAS SE DIVIDIRAM.
BEM LEMBRADO. HOJE EU TEMEMOS PELA UNIÃO DOS DEMOCRATAS COM OS AMIGOS DE REGINA
CUIDADO AO EXPERIMENTAR A FAROFA, Se ela estiver quente, não assopre!
A Guerra de todas as Guerras terminou a pouco mais de sessenta (60) anos. Os 60 meses que se seguiram, serviram para acomodar as forças vencedoras e perdedoras, na busca de uma nova ordem Social e Econômica e, acima de tudo, Política. Os maiores vencedores desse cataclismo, sem dúvida, foram os EUA que, de forma inequívoca, passaram a ditar as regras para o Mundo (subdesenvolvido), disputando cada quilômetro de superfície com a, então, poderosa União Soviética. Começava aí, a Guerra Fria. Tudo isso é passado (nem tanto, como veremos). A partir desse momento, o cinema de Hollywood passou a vender (ao menos para os países colonizados, como o Brasil), a idéia de que o mundo era dividido, em cidades de quarteirões largos e carros conversíveis, quase sempre ocupados por “loiras cintilantes” e homens com cabelos, emplastados de brilhantina. Isso, sim é passado, nostalgia. Este mundo “glamorizado” foi construído para esconder o verdadeiro horror, produzido pelas invasões que o Exército ‘profissional’ dos EUA fez planeta afora. Para os EUA era preciso transformar cada metro quadrado da Terra, num imenso mercado de consumo - e o Brasil não estava fora desse plano. As praias, ainda não poluídas na época, do Centro América e Sul-Americana se transformaram num portal de entrada ao paraíso para os norte-americanos “endinheirados”, que possuíam muito mais do que dois carros na garagem e algumas reservas para gastar, ao final de cada semana, na acirrada disputa da NBA (National Basketball Associatio).
O chamado “desenvolvimento” desses países gerou muitas contradições e focos de revolta que vieram, inicialmente, em forma de rumba (em 1959), com os Cubanos ‘barbudos’, mas que eclodiriam em menos de dez (10) anos depois, no emblemático, 1968. Não foram poucos os motivos dessa “explosão” revolucionária, sendo a maioria deles resultado do embate entre os dois modelos escolhidos para a Humanidade: de um lado, o Socialismo e, de outro, o Capitalismo. Para os “profetas” da simplificação, o Mundo entrou numa era de Paz, em 1989, com a queda do muro que separava as cidades de Bonn e Berlim. Os acontecimentos que se seguiram nos mostram a quantidade de gente medíocre, habitando a Terra e as redações dos jornais. E a Guerra continua, nessa semana, no discurso de vitória, nas prévias, do candidato (pelos Democratas) dos EUA. “Enigmaticamente”, olhando para a esquerda e para a direita, falou que terminava ali uma grande trajetória e tinha início outra. Não temos dúvidas quanto a isso. Apesar de o do próximo passo a ser conquistado, seja verdadeiramente a Presidência do seu país, o Macunaíma “às avessas”, Obama (Barack), tem em mente mais planos que incluem, sem dúvida, cada centímetro do território brasileiro. Começa aí, um grande problema para todos nós brasileiros.
Em 1994 (há quatorze anos, portanto) embrenhamos nossos dias, num ‘libreto’ por nome “ESCUTA ZÉ DIRCEU”. O personagem ‘tema’ a partir daí, por mérito e tropeço próprio, transformou-se num ícone para a Cultura e a Política brasileira. Para uns (ainda) um Revolucionário, enquanto para outros, um corrupto. Nem uma coisa nem outra. O que nos interessa nesse momento é lembrar que este modesto livro, que contou com a boa vontade do personagem central, falando sobre a sua vida, na clandestinidade, tinha uma observação nossa de que um outro tipo de guerra se avizinhava. E isso, com toda certeza, não foi levado a sério, muito menos discutido com a devida ênfase (mesmo em outros livros). Enfaticamente, o livro conta que a partir das cinzas de 1968 e Vietnam, a disputa mais importante seria travada no campo das COMUNICAÇÕES. Zé Dirceu relevou a questão (está lá no livro) e, hoje, se transformou na principal vítima dessa disputa, anunciada. De nossa parte, não queremos mais focar o ex-deputado, como símbolo do presente, pois o mundo de hoje é mais complexo. O que se encerra e o que se inicia é bem mais amplo e subverte o culto à personalidade e até mesmo o talento de um ou de outro, embora cada individualidade ainda faça diferença no contexto.
Para finalizar, queremos e vamos falar de nosso tempo e, para tanto, escolhemos dois nomes que viveram esses últimos 50 anos da transformação do Brasil, num país industrializado e injusto. São eles, Raul Cortez e Gianfrancesco Guarnieri, dois artistas que ‘emblematicamente’ morreram na mesma semana, no ano de 2006. Vamos representá-los (em cinco anos), numa parábola do bordão desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek (presidente do Brasil de 56 a 61) “cinqüenta anos em cinco”. Deu no que deu. Mas, é preciso lembrar que uma história se finda, enquanto uma outra se inicia.
Cartaz da peça teatral Qualé,meu? sobre o movimento de 1968 montada e apresentada na cidade de São Paulo em 1980 - No elenco José de Abreu, Jair Alves, Ecila Pedroso, Paulo Rocha e Nara Keiserman.
O experimentado jornalista, Paulo Moreira Leite, escreveu em seu BLOG, diário, um pequeno texto, convidando seus leitores para discutir o tema, acima. Dentre os que se manifestaram, um deles chamou nossa atenção, não só pela riqueza de informação, mas, sobretudo pelo depoimento de um participante desse movimento, em outro país. Trata-se de Andréa Lombardi, italiano, vivendo há mais de 25 anos no Brasil, atualmente lecionando literatura italiana, na UFRJ - USP. Pela contundência de seu testemunho, julgamos indispensável reproduzir e promover a leitura desse texto. Seguem suas observações:
É tentador, Paulo, comentar seu comentário, sobre o ano de 1968 (mesmo que seja uma comemoração). Eu, como você sabe, sou estrangeiro (há um quarto de século, vivo aqui nesse Brasil). Fui preso, em 05 de Maio de 1968, não aqui, na Itália, naquela democrática Itália de então, que hoje tende a se tornar um regime midiático, de uma direita bastante corrupta.
Não, não existe o "68", existem vários 68`s, pois tantos são os pontos de vista. Mas, há um que em minha opinião é o mais importante: 1968, quando você tinha 15 anos e eu 17 (poderia ser seu pai, não poderia?) Na visão da época, eu era mais velho, muito mais velho! O ano de 1968 foi o primeiro movimento, globalizado, que antecipou a Internet e todos os demais movimentos que tivemos (por enquanto, somente movimentos de informação). Pois, em 1968 nós éramos milhões, em Roma (minha cidade, antes que esse último, produto do Berlusconi, e o neofascismo ganhassem a eleição para Prefeito), milhões em Berlim, em Paris, na cidade do México, e aqui no Brasil, também, embora durante a ditadura. Também havia milhares em Praga e em Varsóvia. Era já um movimento globalizado, foi o primeiro movimento que atingia vários países, ao mesmo tempo. Compare 1968 com o que acontece hoje: quantos protestos, quantas vozes críticas. É verdade que existia muito esquematismo, sim, naquela época, muito modismo, no corte dos cabelos, na roupa alternativa, na música, em tudo (que viva aquela moda!). Dizia Pasolini (o diretor de cinema e escritor), que estava se preparando um certo fascismo da sociedade de consumo. Guy Débord falava da sociedade do espetáculo (na época eu não conhecia Débord, o grande situacionista francês e ex-dadaísta). Uma sociedade onde tudo é espetáculo, venda e consumo, onde não há mais espaço para crítica e leitura aprofundadas.
Paulo, hoje eu dou aula, após 40 anos, de Literatura Italiana (na UFRJ, USP) e sabe o que eu percebo? Que poucos, muito poucos, estão a fim de uma leitura crítica, aprofundada, radical, de uma leitura fora dos esquemas e da tradição, uma leitura ética ou uma ética da leitura, onde nós temos um compromisso de ler os textos e o mundo e, depois, na contramão, tentar uma leitura ao avesso, uma leitura em diagonal, uma leitura nova, criativa, crítica, produtiva, viva. É somente este tipo de leitura que pode reverter nossa posição na sociedade. Paulo, a sociedade, hoje, está dormindo, está dopada (muito prozak, muitos antidepressivos), ela está doente. Curioso, que a gente acorda para perceber a loucura que nos cerca, somente a cada caso de menino arrastado, de menina jogada, quando a loucura é cotidiana, com a violência doméstica a mil. Digo isso, Paulo, sabendo que a doença não está somente no Brasil, está ainda mais forte nos países da Europa, na velha Europa. Trata-se do velho continente, que está rico, aparentemente poderoso, repleto de novos produtos, mas que está mais doente ainda, cheio de angústias, contra os imigrantes e pela situação econômica, por não saber como pagar a parcela de um empréstimo contraído. A verdade, Paulo (isso não sabíamos, em 1968) é que o progresso traz produtos e tecnologia, mas traz também, obrigatoriamente, neurose e medos, angústia e pânico (a síndrome de estar cercado, nos bairros chiques, nos condomínios, algo que conhecemos bem aqui, nas metrópoles do Brasil). O ano de 1968 foi um momento e um MOVIMENTO. Como identificar um movimento e um momento, nesse movimento? Impossível, é como fotografar algo que cai e dizer "a queda é isso!". 1968 foi o eclodir de uma série de problemas: autoritarismo, nova sociedade de consumo, abertura da Escola e Universidade de massa, multidões de novos estudantes, que questionavam, que discutiam, que não eram ouvidos pelos professores. Com os Beatles (torcida de massa), depois a Revolução Cultural Chinesa, nós não concordamos. Eu era marxista-leninista, na época, não "maoísta", mesmo assim, defendo ainda a frase "Rebelar-se, é justo". Ainda penso que se rebelar é justo (embora não pense mais positivamente sobre o Mao). Mas, naquela época, Mao era como o Che, como Ginsberg, como a guerra do Vietnam, ou seja, tudo confluía e a gente não tinha nem tempo, nem vontade de separar. Cuba? Eu fui um dos poucos que, no dia 23 de agosto de 1968 (você se lembra daquele dia?) manifestou contra a embaixada cubana, pelo apoio que deram à invasão soviética, um ato de graça, esse apoio, não precisava. Mostraram para mim e alguns outros que Cuba queria entrar, ou tinha entrado, na órbita da União Soviética, um país totalitário, onde não havia nada de socialismo. Eu nunca perdoei, dos cubanos, essa dependência (mas, quem era eu?) e também o Che, discordando, foi-se embora para a Bolívia. O Che, porém, nunca denunciou a influência dos soviéticos, uma influência negativa que para mim, à época (e ainda hoje) não era melhor do que qualquer ditadura da direita. 1968. Não, não é simples livrar-se dessa sombra que percorria o mundo. Um verdadeiro fantasma que rondava aquele mundo. Hoje, não há mais fantasmas, pois hoje é o nosso mundo que parece, infelizmente, um fantasma, um mundo sem alma, sem vida. Você não acha, Paulo? Não acha? Um abraço, Andrea
Link do blog de Paulo Moreira Leite - http://ultimosegundo.ig.com.br/opiniao/paulomoreiraleite
Ilustração cedida gentilmente por Daniel Pearl do Blog Desabafo Brasil http://desabafopais.blogspot.com
É atribuída a frase, "O Brasil não é um país sério", ao general De Gaule, quando ele aqui esteve, na década de 60. Verdadeira ou não a autoria do escárnio é possível afirmar mais uma vez que todo humorista tem lá o seu lado que deve ser levado a sério. Quanto a isso, peço que prestem atenção no maior deles, sem dúvida - Bussunda. O querido Bú acrescentava, ao final de suas falas, a expressão "Fala Sério", ou seja, pára de falar bobagens, meu!
Nesta sexta-feira última, a Record News, no programa, Brasília ao Vivo, revelou as provas que até então nos parecia evidências. Um grande cambalacho se desenvolve debaixo de nosso nariz, pior ao lado do Palácio da Alvorada, muito próximo à Granja do Torto. Pior ainda, alguém pede que esse humilde dramaturgo, que profissionalmente foi obrigado a ler todo tipo de porcaria de enredo teatral, meio às obras primas da dramaturgia universal, colabore ou aceite calado esse embuste. Não vou fazer isso. Vou esbravejar, como faria Bussunda, dizendo "Fala Sério!".
O tema desse texto é o ministro do futuro - Mangabeira Unger, "convidado" e empossado, meio a protestos, como um alto funcionário do atual governo. Alguém está sacaneando esse caboclo, que aqui escreve estas mal traçadas linhas. Não é possível que isso seja verdade. Vamos por partes:
BRASÍLIA AO VIVO é um programa de entrevistas, com duração de 30 minutos, onde o repórter conversa com políticos que atuam na capital federal. A produção toma o cuidado de alternar deputados, senadores, ministros e agentes do governo, com membros da oposição. Nem sempre é possível assistir a todos, uma vez que alguns deles transformam a entrevista num verdadeiro palanque, porém, como resultado final, o saldo é positivo;
MANGABEIRA UNGER parece ter saído de um daqueles filmes de Mel Brooks, onde você sempre espera a hora em que o vilão vai ser detonado pelo magistral cineasta e ator. Nas obras do autor de O Jovem Frankstein, você tem certeza de que a vida também pode ser divertida. No caso de Mangabeira Unger, não. A impressão que se tem, é o mundo virou de cabeça para baixo. Ele (o ministro do Futuro) não existe, no entanto você sabe que ele está ali e pode significar uma ameaça. Tudo depende da duração do porre que colocou essa ficção, ali num alto posto do governo federal.
O QUE PENSA O MINISTRO DO FUTURO? Ele pensa que está podendo! Fala de um Brasil que não existe, no entanto, para nossa desgraça, ele (Mangabeira Unger) existe. Eu tenho mais peças encenadas no Brasil, do que ele tem de anos vividos no país. Este personagem que, com certeza, Mel Brooks não imaginaria, defende o serviço militar obrigatório e fala de uma classe média que ele vai inventar. Segundo suas palavras (ou seria rosnado?) essa classe média existente é decadente, sem futuro. Fala, também, de um motor social que não é a classe trabalhadora, a mesma que organizou o partido majoritário do atual governo, muito menos a legião de empresários inescrupulosos que sonha a República dos Carecas. Mangabeira Unger fala de uma classe média militarizada, subvencionada pelo Estado. Fala sério, companheiro Luis?
Onde ele quer chegar? Com certeza, à presidência da República. Deixou isso claro em entrevista, em 2005, quando disse "Eu, abertamente, postulo a candidatura à Presidência da República, pelo meu partido o PDT (Partido Democrático Trabalhista), porque estou determinado a lutar por uma alternativa que creio viável. Porque me sinto capaz, não só de representar essa alternativa, diante de meus concidadãos, mas de executá-la, com a ajuda de muitos dos senhores, quadros do partido".
Ele pode ter mudado de partido, e de opinião a respeito do atual presidente (por conta de sua nomeação), mas com certeza não mudou de objetivo - ele pretende, sim, conduzir o meu futuro e de toda a torcida do Corinthians. Mas, como já dizia Lélia Abramo, "não passará". Deixa estar, a qualquer momento eu vou acordar e descobrir que tudo isso não passou de um pesadelo. E que o dito cujo, ministro do futuro, não passa de um maluco que fugiu de um hospício. O atual presidente do Brasil, ufanista e muito feliz neste final de semana, com a vitória de seu glorioso Timão, massacrando o temido CRB (da República de Alagoas), resolveu não contrariar e achou melhor chamá-lo para o seu lado, do que ter esse embuste na oposição. O que não dá para agüentar é o seu ridículo sotaque de morador de Arlington ou de Cristal City.
Que não se enganem os partidários da República dos Carecas, ele é tanto ou mais perigoso do que o mais notável representante da República de Alagoas, com a diferença de que aquele (hoje senador) fala alemão, mas não é alemão. Unger é alemão. Apesar de seu pai ter sido naturalizado cidadão norte-americano, esse é um perfeito representante da República de Weimar.
Tem horas que prefiro o atual presidente, na pele de Bussunda. Parece-me mais sério. Fala sério, Luis!
Dona Cida Arruda era assim na segunda metade da década de 40. Seu pai, o líder Joaquim Arruda era analfabeto, porém liderava greves de camponeses na região de Jaboticabal e Monte Alto (SP). Cida já aos 7 anos pegava num cabo de enxada para ajudar o cultivo do algodão nas empreitadas do pai que era meieiro. Certa época, antes desse que escreve nascer, o velho Arruda foi cercado por uns capangas da fazenda próxima e apanhou como gente grande. Cida era a mais nova, depois vieram outras. Carregou o pai junto com duas irmãs até sua casa para cuidar do velho que ficou na cama por dois meses. Nesse período essa moça bonita que você vê aí trabalhou como um homem grande. Na família só tinha um homem, o restante eram todas mulheres. Estávamos no final do governo Getulio (o primeiro). Essa foto é de um documento chamado na época de "salvo conduto". Dona Cida ainda vive hoje e trabalha em sua casa. Está só. Não sei se a vida é bonita, mas de qualquer forma a vale a pena. O Arrudão ainda viveu para conhecer o lider operário que se projetou no grande ABC. Saiu do Partidão em 61 (acho). Nunca mais se filiou a partido algum.
abraços
obrigado pela atenção.
Publicado no blog do jornalista Paulo Moreira Leite
Jair Alves Como diversos leitores, o dramaturgo Jair Alves enviou um texto e fotos em homenagem a sua mãe. O blogue publicará todas as mensagens recebidas até domingo.
Talvez seja essa a melhor oportunidade para homenagear um dos poucos a praticar um jornalismo sério hoje no Brasil - a produção das piadas do Casseta & Planeta. No melhor estilo, tal como naquela manhã de sábado fatídico (morte prematura de Cássia Eller), acordamos com a pior piada que um humorista pode nos contar - a sua própria morte. Foi assim e ponto. E nós que já nos acostumávamos com o desaparecimento de Golias, vendo todos os dias o Parreira planando pelas imagens da Globo, com sua cara redonda e sorriso enigmático, estamos a partir desse momento à procura de um substituto para as canastrices de Bussunda.
A primeira piada que lembramos de Bussunda, ainda que de mau gosto, reporta os tempos da Revista Casseta Popular, impressa, sem ainda a parceria com o pessoal do Planeta Diário. Era um anúncio para quem estivesse interessado em perder uns quilinhos, em poucos minutos. Primeira foto, um sujeito gordo dizendo que tinha a fórmula para perder 40 quilos num segundo, bastando para isso comprar o manual. Segunda foto, o mesmo sujeito gordo (Busssunda), sorridente, com as pernas sobre os trilhos da Central do Brasil, decepadas pelo trem do subúrbio carioca. Esse mau gosto de linguagem abriu as portas para um humorismo sério que classificamos como o melhor jornalismo contemporâneo, em oposição ao jornalismo partidário (disfarçado de sério) que se pratica na grande imprensa nos dias atuais. A turma dos Cassetas nunca se importou com os chavões de, em certas situações, serem comparados às piadistas pouco éticas. Não se importaram de fazer piadas sobre negros, português, mas ninguém como eles estiveram ao lado dos pobres, negros e oprimidos. Nunca se preocuparam em esconder sua predileção política partidária, por outra, nunca deixaram de praticar a profissão escolhida (humorismo), com independência, sem poupar ninguém.
Bussunda sacaneou a todos, a ele inclusive, nesta manhã de sábado. Por alguns minutos chegamos a pensar tratar-se de uma baita de uma farsa, tal como aquela do Orson Welles, quando por algumas horas apavorou grande parte dos EUA, transmitindo pelo rádio uma invasão de marcianos. Lamentavelmente, não se trata de uma piada, nem de mau gosto.
O que resta dessa brincadeira séria é que, depois de terminar seu mandato (ou seria mandatos), Lula e, depois de pendurar as chuteiras, Ronaldo possam se candidatar a assumir o lugar de Bussunda, nos Cassetas. Seria a maior sacanagem que seus companheiros de profissão escolhida poderiam reservar ao gordinho charmoso.
1801. Cân. 1 - Se alguém negar que há um só Deus verdadeiro, Criador e Senhor das coisas visíveis e invisíveis - seja excomungado [cf. nº 1782]
Está na ordem do dia a excomunhão. Pois, então, "excomunguemos Lula, antes que ele vire santo. Virar santo pode, mas só depois de morto. Morto não governa, não nomeia ministros (da fazenda, da cultura, da justiça), nem presidente de Estatais, tão-pouco pode ser votado, nas próximas eleições".
Entre mandar matá-lo, assim como sugeriu um líder religioso, há poucos dias, nos EUA, referindo-se a Hugo Chavez, e excomungá-lo, assim como pensa seus opositores, "excomunguemo-lo", diria Jânio (o Quadros, não o de Freitas, da Folha). Para isso, é preciso criar um pecado. ISSO É FÁCIL. Demora algumas semanas, "mas vamos conseguir".
A excomunhão, segundo canones católicos, tem duas vertentes e duas formas que justificam sua aplicação: latae sententiae, de aplicação imediata, a partir de um delito já descrito como pecado, e ferendae sententiae, neste caso, sendo necessário um juiz ou um Superior para aplicá-lo. No mesmo código católico, define-se o "dolo", em matéria penal, como a vontade manifesta de violar a lei. Isso vem quando o delituoso demonstra não mais vontade de pecar. Aí, cessa a pena.
Por exemplo, em abril último, antes do inferno astral vivido pela família de São Bernardo, o arcebispo D. Eusébio Scheid, do Rio de Janeiro, tentou enquadrá-lo na excomunhão, por latae sententiae. Motivo: Lula era comunista, logo, um condenado pelo decreto contra o comunismo de Pio XI, a excomunhão. Mas, Lula sempre foi anticomunista!!! (não praticante, é verdade). Como conseqüência, a coisa não prosperou. Naquela oportunidade, petismo ainda não era um pecado mortal, nem por decreto, nem moralmente. Hoje é diferente, trabalha-se para colocar o partido do presidente na proscrição. Bastou uma câmera na mão (ou na bolsa) e três mil reais, em macinhos de cinqüenta para tudo se transformar em crime, na seqüência dos fatos e nas edições das entrevistas semanais. Elevou-se o fato de ser petista, num ato tão condenável como ser comunista no passado. Mas, Lula ainda continua dizendo ser petista (e como muito orgulho, disse ele ontem!!!).
"E se não der certo essa estória de excomungá-lo, teremos que mandar matá-lo, assim como previa a atriz Lélia Abramo, em 89?".
Mas ela, Lélia, morreu antes da tragédia acontecer.
Não, não, não é uma boa idéia. Vamos insistir nessa estória do latae sententiae. Diz o código dos homens que você não pode ignorar a Lei, só que o código dos homens tem essa estória que todo cidadão é inocente, até prova em contrário. Temos que encontrar um crime, o que não se pode permitir é que ele se candidate novamente".
E se for formulado uma acusação que leve a um julgamento público, com direito a defesa e tudo o mais?
"Isso, pelo amor de Deus, isso não pode acontecer. Além de Santo vivo, ele pode mostrar que teremos que mandar matar muita gente que pensa exatamente como ele, e aí a coisa fica feia. Mas, quantos serão? Não sabemos, se a moda pega, já pensou?".
E se ele for julgado por um crime que não cometeu? "Isso é suicídio, e ele disse, 'suicídio não é comigo', então, não vamos embarcar nessa furada". Enquanto isso, no dia-a-dia da imprensa, vão surgindo candidatos a Carlos Lacerda que, afinal, foi o grande inimigo do presidente suicida. Isso é um fato. Nessa semana, um funcionário da Folha de São Paulo foi ao programa do Jô, uma espécie de revista Cruzeiro da era Vargas, e chama o presidente do Brasil de "esse sujeito". Ontem, após o pronunciamento de LULA, uma cientista política lamenta, "Dá uma tristeza. Se o presidente tivesse estudado um pouco mais, não? Se tivesse feito um curso secundário bem feito... por que ele faz uma confusão...Getúlio Vargas não se matou por causa da crise. Ele se matou porque era um político frio e porque o suicídio sempre esteve dentro do cálculo político dele".
Logo, o Lula, além de excomungado precisa voltar para a escola?
"Não foi para escola porque não quis, não é? Por que ele não vai pra escola, cursa uma universidade e depois vira cientista político? Como a profissão de cientista político está difícil, você arruma um emprego de jornalista, no Estadão, na Uol e, de vez em quando, participa do quadro do Jô Soares, 'as meninas do Jô?".
Mesmo que a cientista e também jornalista venha cometer erros crassos, como dizer que Nixon recebeu impeachment pelo voto secreto, e não por voto aberto? Jornalista pode errar, promotor pode errar? Logo, Vargas se matou porque era um maníaco depressivo, não porque estava sendo vítima de uma conspiração. É melhor estudar e ser mais realista com a história. O suicídio de Vargas não teria postergado o golpe militar por 10 anos?
"Sem contar que suicídio é pecado e, de qualquer forma, é melhor estudar, coisa que Lula não fez porque não quis".
A parceira da cientista política, na UOL, também apresentadora de uma televisão de menor audiência, edita o pronunciamento de Lula, dizendo que ele "tentou resgatar fatos históricos, citando presidentes anteriores". Por que a inclusão da palavra 'tentou'? Existe um padrão para se referir a fatos históricos? Ele mentiu ao citar os ex-presidentes? Se mentiu, a manchete deveria ser, "Lula mentiu ao resgatar fatos históricos". Mas, não foi o que aconteceu. A apresentadora criminalizou mais essa manifestação do presidente eleito e no exercício do poder. E veja que o que mais se pediu nas últimas semanas foi para que ele falasse a respeito da crise. Mas, o que querem que ele fale, afinal?
"Queremos que ele confesse que cometeu um ato sabidamente delituoso, e prometa nunca mais fazer isso. Assim, ele estaria desexcomungado. Santo, de jeito nenhum".
(texto escrito em agosto de 2005) Parece atual, não?
QUANDO SAIR, NÃO ESQUEÇA: Deixe comida pro cachorro, senão ele acaba comendo o sofá
Engana-se, quem pensa que estamos vivendo, hoje, os melhores dias de nossas vidas. Estamos muito longe disso. O jornalista Luis Nassif tem chamado um determinado tipo de imprensa, de "jornalismo de esgoto". Se um jornalista como ele pode escrever "esgoto", e qualquer prefeitura, por esse Brasil afora, cria departamentos de "Água e Esgoto", por que não podemos falar expressamente sobre o mais sólido e principal componente do mesmo? Desafio, quem possa dar uma resposta satisfatória a essa questão. Como diz o próprio Nassif, "estou prestes a jogar a toalha", referindo-se ao jornalismo que se faz atualmente.
A verdade é que vivemos tempos hostis, prenuncio (espero não) de tempos sombrios. A imprensa, de fato, não é a mesma dos anos pré-68, nem pré Anistia. Recuando mais ainda, nos primeiros anos da República, lembramos que as forças políticas antagônicas se digladiavam pelas páginas diárias, porém a disputa restringia-se a defesa de um ideário, nada mais. A família Mesquita, por exemplo, defendia a República, enquanto a Couto Magalhães defendia a Monarquia. Na segunda metade do século XX, nas revoluções e golpes de estado, os jornais defendiam projetos políticos, até serem empastelados pelo governo. Não se envolviam diretamente nas disputas financeiras, hoje é diferente. Qualquer dirigente de corporação que esteja á frente de uma empresa de Comunicação, pode ficar bilhardário de um dia para outro. Sendo assim, qualquer forma de comunicação que se invente (orkut, blog, celular), antes de tudo, é a possibilidade de transformar um aventureiro, do dia para noite, num grande magnata. Por que tanta briga em torno das teles e a remoção de jornalistas "bocudos"?
Gastou-se muito tempo, nos últimos anos, discutindo-se se o jornal impresso estava morto, ou não. Esqueceram que existem outros veículos de comunicação, entre os humanos (???), muito mais antigos do que o jornal impresso - o teatro e o livro, por exemplo. Eles se renovaram, de acordo com o movimento social, econômico e político, apesar de sua morte ser anunciada algumas vezes.
Estamos diante do pior, quem sabe. Não vai haver imprensa, dentro em breve. Esta será substituída por departamentos de comunicação, nas corporações. Essas, por sua vez, também serão responsáveis, desde a produção de bens e equipamentos domésticos, até programas de entretenimento diário. A principal prova de que isso já vem ocorrendo, desde há algum tempo, é a supervalorização do Marketing, em detrimento ao jornalismo.
Sinto dor na costela, quando vejo uma das emissoras de tevê (no Domingo Espetacular), fazendo inserções semanais de peças de teatro. Para meu desespero, vejo também que só são anunciadas peças, cujo elenco tenha um artista do cast das suas novelas (TV Record). A outra emissora, concorrente, logo mais vai fazer o mesmo (ou, talvez, já esteja fazendo). Ou seja, não discutimos, de fato, o dirigismo da informação. Isso subverte a democracia. Estamos a caminho do monopólio das pautas.
Talvez, seja por isso que eu tenha sido obrigado a substituir o título da novela, para BLX. Nego-me chamá-la de Esgoto Lavado. Quero chamá-la pelo nome de batismo. Essa minha teimosia tem uma explicação, a palavra que a imprensa me impediu de escrever, é a essência do esgoto do qual Nassif se refere. Portanto, na imprensa pode se encontrar corrupção, como já se provou existir no Legislativo, Executivo e Judiciário. A imprensa é e deve ser livre, menos para cometer crime. Um dos responsáveis pela difusão dessa impunidade, foi José Dirceu, provavelmente uma das suas maiores vítimas. Ele se cansou, dizendo que a imprensa vinha se comportando como partido político. Que podia se comportar assim, desde que deixasse isso claro. Bobagem, irrelevância. Isso é tão óbvio,como chamar essa imprensa (como fazem certos militantes de esquerda) de "Imprensa Burguesa". Tudo bobagem. O fundamental seria abrir uma discussão com a sociedade, para que ela se manifestasse, sobre qual o tipo de imprensa ela acredita ser a ideal.